sexta-feira, 25 de março de 2011


Eu te peço que me ajude a ser melhor
E pra isso, me esqueça no meu canto, vez ou outra...
É que o meu aprendizado necessita solidão,
Só assim minha presença é mais saudável.

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Enfrento meus medos com dignidade.
Tão frequentemente quanto possível.

Elton Garcia
Bastidores da Humanidade

terça-feira, 22 de junho de 2010

O SIGNIFICADO E A DISTÂNCIA


O significado que damos à distância, e à saudade que dela nos advém, é diretamente proporcional ao significado que damos ao encontro e ao convívio que em suas tramas se desdobram.
Sofrer a ausência no possível da saudade é atestar a vivência concreta do amor que se cultiva e se conserva nos solos da alma, ao longo dos passos. O poeta tinha razão quando disse: "Só se tem saudade do que é bom..."

Elton Garcia
Bastidores da Humanidade

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

AS PALAVRAS E EU


Dia desses deu vontade de escrever.
Coisa que faço com frequência,
Por gosto ou por exigência.
Surgiu até essa rima sem querer...

Dia desses deu vontade de escrever.

É que gosto de me aventurar no universo das palavras. Gosto de vê-las clamando por minhas mãos, desejosas de saírem da condição de silêncio, para assumir a escrita que lhes é possível. Gosto de deixar que me ofertem as possibilidades que de suas mãos se desprendem gentilmente. Escrever é uma forma de desbravar as trilhas da existência, de conjugar o mundo das ideias, o território dos sentimentos, os solos da percepção, os bastidores da humanidade.

Mas é verdade que há razões que nos surpreendem… Nos roubam a fala e o possível da definição. São motivos que não cabem na estreiteza dos conceitos. Extrapolam os limites da grafia, pois pertencem a algo que não sabemos nomear ou expressar no formato próprio das palavras. São parte de um todo que é muito mais do que a soma das partes. São saudades… São contatos… São ausências… São distâncias… São sorrisos… São presenças… São perdas… São olhares… São conquistas…!!!

É quando com essas me deparo que permito-me a experiência do silêncio que desconcerta, e sou conduzido a contemplação do acolhimento a que vida me proporciona, no inefável dos seus instantes e significados.

E assim vou seguindo os meus passos, desejoso de aprender ainda mais esse jogo da vida, e extrair-lhe a lição de que tanto necessito para prosseguir em frente, em meio à sinuosa trilha dos dias…
Quem sabe, um dia ???

Elton Garcia
Bastidores da Humanidade

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Quando não penso no tempo, eu o compreendo. Mas se eu o quiser explicar, o meu pensamento se esvai da ordem dos conceitos, de modo que já não o compreendo"

Agostinho de Hipona

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

UM GARI NAS
RUAS DE SÃO PAULO

Tenho recebido mensagens fantásticas de amigos pelo e-mail. Muitas delas são histórias permeadas de grandes oportunidades de reflexão e que, por isso, nos são úteis para enxergar a vida e seu constante movimento de travessia, de modo que possamos perceber onde nos encontramos e de que modo estamos em meio a suas tramas inquietas e curvas surpreendentes. Assim, gostaria de partilhar neste post uma dessas histórias. É um convite para olharmos mais de perto os bastidores de uma vivência pessoal, cujos percalços vêm repletos de significado e força de aprendizagem para o cultivo de nossos passos na vida.

Elton Garcia (Bastidores da Humanidade)


RESPONSABILIDADE SOCIAL
"Um gari nas ruas de São Paulo"

O Psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome". Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.


Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
- ‘Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência’, explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. ‘Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão’, diz.

Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, os garis são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

A função daquele trabalho de mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho dos garis, e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica à qual eles estão sujeitos dentro da sociedade.

Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos.

Os garis conseguem definir essas diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis. Um exemplo: Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: ‘É Fernando, quando o sujeito vem andando, você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão’”.

No primeiro dia de trabalho os garis já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando ao lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari? Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente à lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angústia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.”

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se estivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.”

E quando você volta para casa, para seu mundo real?Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘COISA’. ” Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PERDAS NECESSÁRIAS

"O peso que a gente leva..."

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Fábio de Melo


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CONTRÁRIOS



"O Aprimorado da vida ainda insiste em nascer dos contrários"
(Pe Fábio de Melo).

Elton Garcia
Bastidores da Humanidade

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

PSICOLOGIA HOSPITALAR...

>>> a HUMANIZAÇÃO da SAÚDE

A psicologia nos confere acesso aos bastidores da humanidade, aos espaços reservados das vivências, segredadas nos recônditos da história pessoal de cada ser humano. São os locais em que residem as mais diversas e complexas expressões do território dos sentimentos, e, por isso, são também os espaços onde manifestam-se as experiências da dor, das perdas, dos medos, dos desencontros... São os calvários da existência. Adentrar esses espaços pelos recursos próprios deste ofício, na abertura oferecida pelo possível de cada um, é um processo de comprometimento cujo objetivo é conhecer mais intimamente suas nuances e desdobramentos, de modo a conferir às pessoas a possibilidade do acerto, da superação, do aperfeiçoamento, bem como do recomeço, da re-significação… É tocar e cuidar a vida pelas tramas dos delicados solos da emoção, território onde residem as mais complexas relações da privilegiada condição humana.

Assim, neste momento, quero dedicar os solos deste post para ofertar uma interessante reflexão sobre a Psicologia Hospitalar e sua importância, não apenas como via de auxílio e superação, tanto para os pacientes quanto para os profissionais, mas, sobretudo como caminho para o resgate do processo de Humanização da Saúde, do cuidado para com os bastidores da existência de cada ser humano, de cada vida, fragilizada e combalida em meio a dura experiência da dor, da enfermidade, da perda, da morte…

Aproveito para reiterar ainda mais o meu carinho e admiração para com este ilustre ramo da Psicologia, que de fato, penetra de modo incisivo os surpreendentes bastidores da vida humana, no exercício da nobre missão de resgatar e salvaguardar o seu valor e dignidade, em face aos duros percalços da vida…

Elton Garcia
Bastidores da Humanidade

Quero aprender a ajudar gente com problemas… Quero dar atenção a eles…

O foco do Psicólogo Hospitalar é o paciente e sua família. É a partir deste foco que atua com A EQUIPE DE SAÚDE.

Os profissionais que atuam a mais tempo tendem a ser menos receptivos do que os mais novos… O discurso médico tem por tradição excluir a subjetividade do individuo que traz sua queixa. Deve-se conscientizar a equipe quanto ao lado emocional do paciente. O Psicólogo também poderá ajudar os profissionais a refletir sobre variadas questões…

E se um paciente morresse? – Quem tem a morte de errado? Por que temos esse medo mortal? Por que não tratamos a morte com humanidade, dignidade, decência e até com humor? A morte não é o inimigo. Se quiserem enfrentar um mal, enfrentem o mal da indiferença…

Mas também é preciso lembrar a subjetividade do profissional hospitalar. As tensões intraprofissionais são muitas vezes expressas em comportamentos interpessoais. E nesta profissão, lida-se cotidianamente com situações que os afetam: doenças, pacientes terminais ou de UTI, morte, dificuldade da família em aceitar a situação, alta carga horária… e o choque ao não saber lidar com o paciente. E essas situações aumentam o nível de ansiedade e comprometem a plena execução das tarefas. Ou seja, o comportamento profissional reflete diretamente as emoções humanas dos indivíduos que compõem a equipe.

O psicólogo irá ajudar a equipe a entrar em harmonia, adquirida através do diálogo e da tolerância, a fim de promover o melhor para o paciente. “Toda ação transformadora da sociedade só pode ocorrer quando indivíduos se agrupam” (Lane).

Cultivem amizades com essas pessoas incríveis, as enfermeiras. Cuidam de pessoas dia após dia. Têm muito o que ensinar… Bem como os professores…

Compartilhei da vida de pacientes e pessoal do hospital. Rimos e choramos juntos. Quero dedicar a vida a isso. A missão do médico deve ser não apenas de evitar a morte, mas melhorar a qualidade de vida. Tratando o mal, se ganha ou se perde. Tratando o indivíduo, garanto que vão ganhar, independentemente do desfecho”.

Vale ressaltar que a Psicologia Hospitalar é uma área ampla e em crescimento, e vai muito além de um simples trabalho… É o lidar co a complexidade do ser humano nas mais distintas emoções.

Vídeo/produção: Alessandra Batista Ramos, Ana Carolina dos Santos, Aneline Meneses Nicolau, Janaína Ortiz dos Santos, Julie Trandafilov, Lorim Saori Sato, Priscila da Silva Pereira.

Postado no YouTube por: Psicorenzi - "O Trabalho de Humanização dentro dos Hospitais depende de cada profissional! "

Mais vídeos deste tema no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=gmfYtbjR7T4

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A SAP NO CINEMA


A discussão da Síndrome da Alienação Parental (SAP) chegou às salas dos cinemas brasileiros com o filme A Morte Inventada. O Documentário, escrito e dirigido por Alan Minas, reúne depoimentos de juristas, advogados e psicólogos, além do testemunho de pais e filhos envolvidos no processo. A ideia principal, segundo o próprio cineasta, é fomentar a discussão e levar a informação sobre o que é e as consequências da SAP. Minas explica que sua motivação para produzir a obra veio do fato de estar vivenciando a Síndrome. “Por causa de uma falsa acusação de abuso psicológico, fiquei do dia para a noite sem poder me aproximar de minha filha. Foram 13 meses sem vê-la. Recentemente, voltei a ter contato com ela durante vinte minutos por semana. Os encontro são acompanhados por uma psicanalista que não sabe o que é a SAP”. De acordo com o cineasta, a menina praticamente não se recorda de nada da convivência que tiveram num passado recente. “Apesar da proximidade que tivemos durante oito anos, hoje em dia ela diz que eu não sou seu pai e que quer que eu morra”. Alan Minas descreve, ainda, a sensação de muitos genitores alienados ao tentar reverter o processo por meios legais: “É como um pesadelo chegar ao Judiciário e se deparar com pessoas que nunca ouviram falar da SAP e que tem o poder determinar como vai ser sua relação com a pessoa que você mais ama na vida. Remete a uma coisa kafkaniana, pois você reconhece a doença e o mal que está sendo feito,mas ninguém ao redor sabe do que se trata”. Desde que começou a se envolver no projeto, o diretor e roteirista tomou contato com inúmeras histórias semelhantes a sua. “Recebo uma média de cinco relatos por semana, descrevendo processos parecidos com o que estou vivenciando. Portanto, a Síndrome da Alienação Parental não é algo raro. O que existe é só desinformação”. Em sua opinião, alguns procedimentos seriam de grande valia para se jogar luz na questão. “Bastaria uma imparcialidade das autoridades para que se acabasse com este terror que é a liminar de suspensão de visitação. No caso de acusação de abuso, marca-se uma visita acompanhada em algum lugar público, assim é possível manter o vínculo afetivo. Com isso, sou capaz de arriscar que a chance de se reduzir a SAP é de 70%”.

O cineasta pretende apresentar o filme A Morte Inventada em todo o Brasil. A agenda contendo datas e locais das exibições está disponível no site http://www.amorteinventada.com.br/ .

Revista Psique Ciência & Vida, nº 43
Link para acesso de vídeos relacionadas no You Tube:
SAP - SÍNDROME DA
ALIENAÇÃO PARENTAL



A Síndrome da Alienação Parental (SAP), vem sendo denunciada de forma recorrente após a ocorrência de uma separação conjugal. O conceito de SAP é conhecido como o processo manipulador sobre a criança influenciada a odiar o genitor não-guardião sem justificativa idônea. Frequentemente, a mãe é quem fica com a guarda, em aproximadamente 91% dos casos de divórcio. Por essa razão, é mais comum ter o pai como a parte alienada.

Quando a Síndrome se instala, o relacionamento da criança com o genitor alienado fica irremediavelmente comprometido. Com o passar do tempo, o filho, consciente ou inconscientemente, passa a colaborar com a prática manipuladora e rompe os laços afetivos com o genitor alienado, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação a esse genitor. Nos atendimentos terapêuticos em crianças que sofreram a SAP, é habitual constatar a contradição de sentimentos e o desenvolvimento de patologias.

Dados do IBGE de 2002 divulgaram que cerca de 1/3 dos filhos de pais divorciados perdem contatos com seus pais, sendo privados do afeto e convívio com o genitor ausente, o que causou consequências no desenvolvimento psicossocial. Pesquisas revelaram que crianças que passam pela experiência desse fenômeno, por exemplo, apresentam grandes dificuldades de relacionamento na vida adulta.

A revistas Psique Ciência & Vida deste mês debate este polêmico tema em dois artigos e enfatiza a importância da análise do profissional de Psicologia nos casos jurídicos.

Gláucia Viola (Psique Ciência & Vida - nº 43)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Agradeço a Deus por me emprestar diariamente o coração que pulsa, o oxigênio que respiro, o solo em que caminho e milhões de itens para que eu exista. Ele suportou meu cético ateísmo, me levou a encontrar a Sua Assinatura atrás da cortina da existência e me fez enxergar que o Seu sonho de ver a espécie humana unida, fraterna e solidária é o maior de todos os sonhos.

(Augusto Cury, 2004).
QUEM SOU EU...


Eu sou um passageiro do tempo. Minha morada é temporária, e sem eu mesmo saber quando, partirei sem bilhete, sem mala. Vivo quatro estações por ano, mas a definitiva me espera de volta num lugar onde o sol e a lua, sem noite e sem dia, bailam juntos, em perfeita sintonia…

ou alguém que tenta entender que os ponteiros que rodam me aproximam de um vôo sem máquina, onde me sobrevoarei por dentro.

Sou um peregrino no espaço limitado, e mesmo que queira, não posso perder a condução do dia-a-dia. Sou envolvido, implicado, incrustado. Estou entre tantos que já somam mais de seis bilhões e, no entanto, sou único no palco da existência…

Sou um passageiro do tempo cheio de perguntas a tiracolo e com poucas respostas na mente. Trago livros, mentes, tradição e avanço filosófico, e assim mesmo não me explico totalmente.

Sou um dos que evoluíram, tenho idade cronológica. . . Minha espécie mudou em método e moda…

Sou um mistério para mim PORQUE SOU, e não porque mereci; porque ALGUÉM quis que eu viesse a ser…

Sou um andarilho terreno, culto para uns e completamente tolo para outros. Estou em busca de uma satisfação maior pelo coração do que pelos olhos…

Sou um pingente vivo, sujeito ainda à Lei da Gravidade; mas o que já me consola é que não temo o suplício, pois estou, à cada dia, encontrando a verdadeira e concreta liberdade: deparei-me com ela depois que passei a celebrar diariamente a alegria de viver e louvar Aquele que É, Aquele que Era, Aquele que Vem…

Agradeço especialmente a quem muito tem me ajudado nesse processo… Um "Alguém" muito, muito mais que especial, recentemente descoberto em meu viver, e que eu amo com amor implacável…
Elton Garcia